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Disputa Societária e Soberania Territorial

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Disputa Societária e Soberania Territorial

Murillo Aragão

O controle nacional das terras agricultáveis, conforme determina a Constituição Federal, não é apenas uma necessidade econômica, mas uma medida estratégica para preservar a soberania e assegurar que os interesses nacionais prevaleçam frente a pressões internacionais. Ao manter sob controle o uso dessas terras, o Brasil reforça sua capacidade de se posicionar como um protagonista no mercado global de alimentos e da economia sustentável , ao mesmo tempo em que protege recursos naturais essenciais para as gerações futuras.
Vamos abordar a questão pelo seu aspecto prático. O embate judicial entre a J&F e a Paper Excellence, uma empresa estrangeira, pelo controle da Eldorado Celulose ganhou um novo capítulo significativo no mês passado. O Tribunal de Justiça de São Paulo, por expressiva maioria de 6 votos a 3, anulou a sentença da 2ª Vara Empresarial que havia favorecido a Paper Excellence na transferência acionária da companhia. A decisão fundamentou-se no fato de que a juíza de então proferiu sentença durante período em que o processo estava oficialmente suspenso por determinação do próprio Tribunal.

Com a decisão processual, o caso retorna à primeira instância judicial, onde um novo magistrado terá a responsabilidade de examinar tanto as provas já acostadas aos autos quanto novos elementos probatórios que venham a ser apresentados pelas partes. Entre eles, a questão da propriedade de terras por estrangeiros.

O que começou em 2017 como uma operação de venda avaliada em R$ 15 bilhões transformou-se em uma das mais intrincadas batalhas societárias da história empresarial brasileira. No entanto, além da complexidade jurídica envolvida, existem questões fundamentais de legalidade que apontam para a provável anulação definitiva do negócio.

Como advogado, vejo que diversos elementos comprometem a validade da operação. Porém, destaca-se um aspecto crucial: a flagrante nulidade do contrato de compra e venda sob a ótica constitucional. A transação envolve a transferência de vastas áreas rurais – equivalentes a aproximadamente três vezes o território do município de São Paulo – para uma empresa sob controle estrangeiro, sem que tenha havido a imprescindível aprovação prévia do Congresso Nacional.

Esta exigência não é mera formalidade burocrática, mas um imperativo estabelecido pela Constituição Federal em seu artigo 190, regulamentado pela Lei 5.709/1971. O dispositivo constitucional visa precisamente salvaguardar a soberania nacional sobre territórios estratégicos, impedindo que extensas áreas rurais brasileiras passem ao controle estrangeiro sem o devido escrutínio legislativo.

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A ausência desta autorização parlamentar compromete irremediavelmente a validade jurídica do contrato, caracterizando violação à legislação brasileira sobre aquisição e arrendamento de terras por estrangeiros. Esta irregularidade não passou despercebida ao Ministério Público Federal, que ajuizou ação civil pública questionando a legalidade da operação.

Corroborando esta tese, manifestações técnicas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), da Advocacia-Geral da União (AGU) e do próprio Ministério Público Federal já reconheceram explicitamente a necessidade incontornável da licença prévia para a realização deste tipo de negócio.

Há limites para a extensão de terras que podem ser adquiridas, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. Nenhuma pessoa física estrangeira pode adquirir mais de 50 módulos rurais em área contínua ou descontínua. As áreas em questão – utilizadas para o plantio de árvores destinadas à produção de celulose pela Eldorado – equivalem a duas vezes o município de São Paulo!

Mais do que uma simples disputa empresarial por ativos econômicos, o caso Eldorado vs. Paper Excellence levanta questões fundamentais sobre a soberania nacional em relação ao controle de terras brasileiras – um tema que transcende interesses privados e toca princípios basilares da ordem constitucional do país.

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Charge do JCaesar: 3 de abril

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José Casado

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Motta anuncia que Lira será relator do PL da isenç…

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Motta anuncia que Lira será relator do PL da isenç...

Nicholas Shores

Motta anuncia que Lira será relator do PL da isenç… | VEJA

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O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta quinta-feira que seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL), será o relator do projeto do governo Lula que dá isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5.000 reais por mês.

Ambos integraram a comitiva que viajou com o presidente Lula para o Japão e o Vietnã na semana passada.

Para que o impacto fiscal seja zero, o Ministério da Fazenda incluiu no texto do projeto uma alíquota mínima progressiva a ser cobrada de quem tem uma renda de a partir de 50.000 reais por mês.

Essa cobrança aos chamados “super-ricos” enfrenta alguma resistência no Congresso. Nesta quinta, Motta vai receber o senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ouvi-lo sobre uma proposta alternativa do Progressistas, com novas formas de compensação.


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Quaest: 62% dos brasileiros se opõem à ideia de Lu…

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Quaest: 62% dos brasileiros se opõem à ideia de Lu...

Ricardo Chapola

A queda na aprovação do governo veio acompanhada de mais um dado negativo para o presidente Lula. De acordo com pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 3, aumentou em dez pontos o número de brasileiros que não apoiam a ideia de o petista concorrer à reeleição em 2026. Em dezembro do ano passado, 52% se diziam contrários a uma nova candidatura, índice que chegou a 62% em março deste ano. Aos 79 anos, o presidente se movimenta para voltar às urnas, reforçou a comunicação da Presidência com o marqueteiro de sua campanha passada e garante ter saúde suficiente para postular mais um mandato.

Apesar de a maioria da população ser contra a reeleição dele, o presidente ainda aparece em vantagem diante de seus principais adversários. O instituto simulou o segundo turno da corrida presidencial de 2026 com oito cenários diferentes e, em todos, o petista levaria a melhor.

Numa eventual disputa contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o ex-capitão tem 40%. Já num embate com Michelle Bolsonaro (PL), Lula marca 44%, seis pontos à frente da ex-primeira-dama. O filho Eduardo Bolsonaro (PL) também perderia para o petista por 45% a 34%.

O presidente registrou 43% das intenções de voto contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que marcou 37%. Lula também superaria os governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, e Ronaldo Caiado (União), de Goiás, além do ex-coach Pablo Marçal (PRTB).

As opções da direita

A pesquisa divulgada nesta quinta também indicou uma divisão na direita diante da inelegibilidade de Jair Bolsonaro até 2030. Tarcísio de Freitas é apontado por 15% dos entrevistados como o nome preferencial para representar o espectro político, enquanto Michelle Bolsonaro aparece na sequência, com a preferência de 14% dos entrevistados. Pablo Marçal marcou 11% e Ratinho Júnior teve 9%, enquanto Eduardo Bolsonaro, Zema e Caiado tiveram a preferência de 4%. Para 19% dos entrevistados, nenhum deles seria a opção ideal.

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A consultoria também captou dos entrevistados que os dois piores cenários políticos hoje seriam Lula vencer a reeleição ou Bolsonaro retornar ao poder. Para 44%, a retomada do ex-presidente seria pior do que a continuidade de Lula, que teve a resistência de 41%.

Preferência partidária

O levantamento também mostrou uma tendência de rejeição generalizada aos partidos políticos. Ao todo, 62% dos entrevistados repudiam todas as agremiações – em maio de 2022, o índice era de 64%.

Ainda segundo a Genial/Quaest, 30% dos brasileiros assumem resistência ao PT, enquanto 67% não se consideram antipetistas.

A Genial/Quaest realizou 2.004 entrevistas entre os dias 27 e 31 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiabilidade do levantamento é de 95%.



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