NOSSAS REDES

MUNDO

Enel tenta barrar responsabilização em eventos climáticos – 23/10/2024 – Cotidiano

PUBLICADO

em

Fábio Pupo

A Enel, distribuidora de eletricidade que atua na cidade de São Paulo, tenta barrar na discussão sobre novas regras do setor a ideia de aumentar a responsabilização das empresas de energia em eventos climáticos extremos. A empresa foi intimada nesta segunda-feira (21) em um processo que pode levar à perda do contrato, justamente por sua conduta após um temporal na capital paulista neste mês.

A discussão sobre eventos climáticos –que tendem a ser cada vez mais frequentes e intensos, o que coloca em risco a entrega do serviço– é central no atual processo de revisão de normas do setor e deve influenciar o formato dos futuros contratos do segmento, que valerão pelos próximos 30 anos.

A empresa, controlada por acionistas italianos, emitiu o posicionamento sobre o tema em uma coleta de opiniões promovida pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) neste ano. Para argumentar contra a maior responsabilização das concessionárias nas novas regras, a Enel cita a lei 8.987, de 1995 –que afirma que não se caracteriza como uma descontinuidade do serviço a interrupção em situação de emergência.

“Eventual revisão das classificações a respeito das interrupções de fornecimento não poderá, por força da legislação vigente, imputar a responsabilidade por interrupções decorrentes de eventos extremos e situações de emergência às concessionárias de distribuição”, afirma a Enel na tomada de subsídios.

A empresa também cita países que têm uma interpretação mais flexível do que pode ser considerar caso de “força maior”, uma situação imprevista e inevitável que impossibilita o cumprimento de obrigações. A Enel diz que na Itália, por exemplo, não é necessário uma entidade pública declarar a existência do evento extremo.

O agente regulador italiano, diz a companhia, “considera como suficiente a verificação feita pela distribuidora, devidamente embasada em uma declaração técnica e meteorológica de alguma instituição especializada e, possivelmente, contratada pela própria distribuidora”.

A empresa também se mostra contrária à mudança de regras voltadas a indenizar o consumidor em casos do tipo. “Estabelecer regras de compensações para ocorrências originadas em eventos extremos, quer seja por eventos climáticos extremos ou por ISE [Interrupções por Situação de Emergência], não é pertinente uma vez que as interrupções originadas por esses eventos estão fora da gestão das distribuidoras, visto que totalmente decorrentes de eventos inesperados”, diz a Enel.

Em vez da maior responsabilização, a Enel sugere um mecanismo de incentivo positivo para as empresas. “A regulamentação poderia prever mecanismos diferentes de incentivos, para além de penalidade, indo em direção ao reforço positivo das ações. Dessa forma, poderiam prever prêmios para ações que fossem mais positivas, influenciando o resultado de forma mais sustentável para as distribuidoras”, afirma a companhia.

A Aneel assinou nesta segunda a recomendação para uma consulta pública sobre a resiliência da infraestrutura em eventos climáticos. Uma segunda, aberta no começo do mês e mais ampla –que versa sobre a renovação dos contratos de concessão de distribuição–, também tem parte da discussão destinada ao tema e considera as opiniões já expressas pelas empresas.

A Enel e outras 18 empresas estão com os prazos de concessão vencendo nos próximos anos, de 2025 a 2031, e o governo federal pretende antecipar a prorrogação sobre novas bases. Um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) de junho autoriza o processo.

A minuta dos novos contratos está em consulta pública e diz que é obrigação das empresas “desenvolver ações para a redução da vulnerabilidade e para o aumento da resiliência das redes de distribuição frente a eventos climáticos, conforme regulação da Aneel”.

Também diz que a Aneel “estabelecerá padrões de continuidade a serem observados pela distribuidora contemplando, no mínimo, metas de eficiência para recomposição do serviço após interrupções motivadas por eventos climáticos extremos”.

Governo e especialistas veem as regras ligadas a eventos climáticos entre os principais pontos a serem modernizados no setor. Atualmente, as normas preveem que as concessionárias de distribuição não são penalizadas por situações extraordinárias que estão fora do seu controle –mas as próprias empresas apontam dificuldades para se caracterizar quais são essas situações.

Silveira, chefe da pasta de Minas e Energia, afirma que os atuais contratos são obsoletos com relação a eventos climáticos e que o novo modelo terá metas para recompor o serviço após esse tipo de fenômeno.

“Ela [empresa que renovar o contrato sobre novas bases] vai ter que planejar-se para a emergência climática e eventos severos, porque entramos em uma nova realidade no setor de energia do mundo. Não só na geração –com as energias limpas e renováveis– mas na distribuição, em especial”, disse na semana passada.

Segundo ele, eventos climáticos severos como o deste mês em São Paulo não poderão mais ser eliminados das responsabilidades. Além disso, as penalidades também serão rediscutidas.

“Hoje a penalidade é multa. É como acontece com as grandes mineradoras. Todas, ou boa parte, preferem ser multadas do que fazer o certo. E aí acumulam muito em judicialismo. E fica lá [travado na Justiça]. A maior parte do Judiciário é ocupado com esse tipo de comportamento. Infelizmente”, disse.

Procurada pela reportagem, a Enel afirma que suas opiniões “estão em concordância com as enviadas por outros agentes do setor no processo”. “A Enel reitera seu compromisso com a sociedade em todas as áreas em que atua e reforça que está fazendo um robusto plano de investimentos para aumentar a qualidade dos serviços, em linha com as expectativas das autoridades, com as mudanças climáticas e com os anseios dos consumidores brasileiros”, diz a companhia, em nota.

A Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), que no mesmo processo defendeu opiniões similares à da Enel em parte do debate, afirmou que os eventos climáticos extremos “trazem novos desafios para o segmento de distribuição”. A entidade diz acreditar “que todas as contribuições feitas por suas associadas têm como objetivo o aprimoramento das regras dos contratos e a melhoria do serviço prestado”.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

MUNDO

Após 18 anos, mulher volta a falar por causa de neuroprótese; inovador!

PUBLICADO

em

Hudy que é fisioterapeuta leva música ao som da sanfona para cada paciente que visita no hospital de São João de Patas, da Paraíba, e o resultado é sopro de vida para essas pessoas que estão em tratamento. Foto: @hudy.show

Depois de 18 anos, essa mulher voltou a falar após usar uma neuroprótese revolucionária. A paciente consegue se expressar com a própria voz!

Por quase duas décadas, Ann viveu em silêncio. Aos 30 anos, a mulher, que passou por tratamento na Universidade da Califórnia em Berkeley (UCB), Estados Unidos, sofreu um derrame e ficou restrita a poucos sons monossilábicos.

Mas pela primeira vez na história, uma neuroprótese conseguiu restaurar a comunicação verbal natural de uma pessoa. O objeto decodifica sinais cerebrais e os transforma em fala fluente. Os resultados foram publicados na última semana na revista Nature Neuroscience.

Procedimento inovador

Em 2022, Ann foi submetida a uma cirurgia onde os neurocirurgiões implantaram 253 eletrodos em regiões específicas do cérebro.

Esses eletrodos registram a atividade cerebral da mulher e enviam os sinais para um computador, que os traduz em palavras e os reproduz com o mesmo tom de voz que ela tinha antes do derrame.

Interceptamos os sinais no ponto em que o pensamento se torna vocalização”, explicou Cheol Jun Cho, primeiro autor da pesquisa, em uma declaração da UCB.

Isso significa que, mesmo sem poder mover os músculos da boca e das cordas vocais, Ann pensa no que deseja falar e a tecnologia faz o resto!

Leia mais notícia boa

Neuroprótese e fala

Para ensinar o computador a interpretar os sinais cerebrais de Ann, os pesquisadores pediram que ela tentasse ler frases curtas em uma tela.

Aos poucos, com a ajuda de inteligência artificial, o sistema aprendeu a transformar os sinais em palavras e a construir frases completas.

Com o passar do tempo, a tecnologia evoluiu mais ainda e avançou para um estágio em que Ann pudesse se expressar de maneira contínua e sem pausas.

Além disso, o grupo usou gravações antigas da voz da paciente. Com isso, o computador conseguiu reproduzir o tom original. Para a família, esse detalhe fez toda a diferença!

Futuro desafiador

Apesar do sucesso, os pesquisadores alertaram que a tecnologia ainda está em fase experimental e precisa de aprimoramentos.

Os próximos passos incluem melhorias na precisão da dedicação dos sinais e na expressividade da o sintético.

“A síntese de uma fala contínua e natural a partir da atividade cerebral, e com atraso mínimo, é um objetivo importante das tecnologias de restauração da fala para pacientes com paralisia grave”, finalizaram no artigo.

Veja como a tecnologia funciona:

Os pesquisadores conectaram um plante cerebral ao computador sintetizador de voz. - Foto: Noah Berger Os pesquisadores conectaram um plante cerebral ao computador sintetizador de voz. – Foto: Noah Berger



Leia Mais: Só Notícias Boas

Continue lendo

MUNDO

A temporada de aspargos da Alemanha encolhendo – DW – 04/03/2025

PUBLICADO

em

A temporada de aspargos da Alemanha encolhendo - DW - 04/03/2025

A temporada de aspargos pode não merecer muito aviso em outros países, mas em Alemanha A colheita da primavera se tornou uma sensação. Os restaurantes têm “menus de aspargos” sazonais especiais e rapidamente se vende nas prateleiras de mercearias.

Algumas cidades alemãs ainda têm festivais de aspargos, completos com a coroação de uma rainha dos aspargos.

No entanto, nos últimos anos, os agricultores estão produzindo menos e menos aspargos. Embora ainda seja de longe o vegetal que ocupa o maior número de terras agrícolas na Alemanha – cerca de 19.800 hectares – crescendo custos, diminuição da demanda e falta de trabalhadores para ajudar na colheita, todos compostos a Temporada de aspargos azedos.

Obsessão da Alemanha com aspargos

Para visualizar este vídeo, ative JavaScript e considere atualizar para um navegador da web que Suporta o vídeo HTML5

Mudança de gostos e tempos de mudança

O Escritório de Estatística Federal, ou Destatis, divulgou dados na quinta -feira, mostrando que a produção de aspargos caiu 3% em 2024, atingindo seu nível mais baixo desde 2013.

Destatis também registrou um declínio constante na última década em trabalhadores sazonais, ajudando os agricultores de aspargos. Na temporada de 2022-23, apenas 28% dos 243.000 trabalhadores sazonais da Alemanha estavam nos campos de aspargos.

Os aspargos podem ser vítimas de mudanças de gostos e custos crescentes de produtos frescos, bem como os agricultores dando alguns campos de aspargos em favor de outras culturas – pois a diversificação é vista como uma maneira de combater a devastação de mudança climática.



Leia Mais: Dw

Continue lendo

MUNDO

Escola instala elevador para tornar ambiente mais acessível aos alunos com deficiência

PUBLICADO

em

Enéas é um jovem de 24 anos, que enfrenta uma batalha contra um câncer no reto. Sem condições. ele vive diversas dificuldades após ter o INSS negado - Foto: SVB

A comunidade desta escola se uniu e conseguiu a instalação de um elevador para ajudar os alunos com deficiência. O momento foi muito comemorado!

O vídeo, compartilhado nas redes pela pesquisadora de Educação e fundadora do Instituto Cáue, Mariana Rosa, mostra a filha dela, Alice, usando pela primeira vez a nova funcionalidade.

Mariana contou que foram três anos de mobilização intensa entre os estudantes, famílias e educadoras. No último dia 29 de março o projeto saiu do papel, em São Paulo. Os amigos de Alice estavam na porta do elevador e quando ela foi fazer a primeira viagem, todo mundo vibrou com a conquista da acessibilidade!

Esforço coletivo

A instalação do elevador foi fruto de um esforço coletivo.

Como escola é tombada como patrimônio histórico e tem diversas barreiras arquitetônicas, o acesso de Alice a vários ambientes era improvisado, além de ser inseguro.

Para garantir que todos tivessem as mesmas condições, os alunos formaram comissões de acessibilidade.

A principal função era debater soluções e criar um plano realista para eliminar as barreiras no ambiente escolar.

Depois de anos de diálogo, debates e negociações, eles conseguiram!

Leia mais notícia boa

Conquista da acessibilidade

Alice foi a primeira a entrar no “Fantástico Elevador” e ganhou um bilhete dourado para isso.

O ticket dava direito a uma viagem com mais três amigos.

“A Marsella, amiga da Alice, foi sua companhia na primeira viagem do elevador”, contou a mãe da menina.

A comunidade escolar parou para ver o feito. Com todos os amigos reunidos, eles estouraram confete e vibraram bastante depois que a garota conseguiu o acesso.

“A invenção e a transgressão materializadas no elevador, que já não é “social” ou “de serviço”, mas “a serviço” daqueles que dele necessitam”, disse Mariana.

Muito além do elevador

A mãe também contou que o fato vai muito além de um elevador.

“É certo que a garantia da acessibilidade está longe de se resumir à instalação de um elevador. A acessibilidade curricular, inclusive, é um dos aspectos que mais demanda investimento (intelectual, afetivo, financeiro).”

Segundo a genitora, o momento foi de transformação.

“Mas a gente não celebrou a mera instalação do elevador. Ele só concretizou a transformação estrutural (material e simbólica) que podemos construir”, finalizou.

Veja como os alunos se juntaram para ver Alice!

//www.instagram.com/embed.js



Leia Mais: Só Notícias Boas

Continue lendo

MAIS LIDAS