NOSSAS REDES

MUNDO

Pauk Krugman: A esperança na era do ressentimento – 10/12/2024 – Paul Krugman

PUBLICADO

em

Esta é minha última coluna para o The New York Times, onde comecei a publicar minhas opiniões em janeiro de 2000. Estou me aposentando do Times, não do mundo, então ainda expressarei minhas opiniões em outros lugares. Mas esta parece uma boa ocasião para refletir sobre o que mudou nesses últimos 25 anos.

O que me impressiona, olhando para trás, é como muitas pessoas, tanto nos EUA quanto em grande parte do mundo ocidental, eram otimistas naquela época e até que ponto esse otimismo foi substituído por raiva e ressentimento.

E não estou falando apenas de integrantes da classe trabalhadora que se sentem traídos pelas elites; algumas das pessoas mais irritadas e ressentidas nos Estados Unidos agora —pessoas que parecem muito almejar ter muita influência com o governo Trump que está por vir— são bilionários que não se sentem suficientemente admirados.

É difícil transmitir o quão bem a maioria dos norte-americanos se sentia em 1999 e no início de 2000. As pesquisas mostravam um nível de satisfação com a direção do país que parece surreal nos padrões atuais. Minha percepção sobre o que aconteceu na eleição de 2000 foi que muitos americanos consideraram a paz e a prosperidade como garantidas, então votaram no cara que parecia ser mais divertido de se conviver.

Na Europa, também, as coisas pareciam estar indo bem. Em particular, a introdução do euro em 1999 foi amplamente saudada como um passo em direção a uma maior integração política e econômica —em direção a um Estados Unidos da Europa, se preferir. Alguns de nós, norte-americanos, tínhamos precauções, mas inicialmente elas não eram amplamente compartilhadas.

Claro, não era tudo flores e arco-íris. Havia, por exemplo, já um bom número de teorias da conspiração do tipo proto-QAnon e até mesmo casos de terrorismo doméstico nos Estados Unidos durante os anos Clinton. Houve crises financeiras na Ásia, que alguns de nós viam como um potencial prenúncio do que estava por vir.

Publiquei um livro em 1999 intitulado “O Retorno da Economia da Depressão”, argumentando que coisas semelhantes poderiam acontecer nos EUA; lancei uma edição revisada uma década depois, quando aconteceram.

Ainda assim, as pessoas estavam bastante otimistas sobre o futuro quando comecei a escrever para este jornal.

Por que esse otimismo azedou? Como vejo, tivemos um colapso da confiança nas elites: o público não tem mais fé de que as pessoas que estão no comando sabem o que estão fazendo, ou que podemos supor que estão sendo honestas.

Não foi sempre assim. Em 2002 e 2003, aqueles de nós que argumentaram que o caso para invadir o Iraque era fundamentalmente fraudulento foram alvo de críticas de pessoas que se recusavam a acreditar que o presidente dos EUA faria tal coisa. Quem diria isso agora?

De uma maneira diferente, a crise financeira de 2008 minou qualquer fé que o público tinha de que os governos sabiam como gerenciar economias. O euro como moeda sobreviveu à crise europeia que teve o auge em 2012, levando o desemprego em alguns países a níveis da Grande Depressão, mas a confiança nos eurocratas —e a crença em um futuro europeu brilhante— não resistiu.

Não são apenas os governos que perderam a confiança da população. É surpreendente olhar para trás e ver como os bancos eram vistos de forma muito mais favorável antes da crise financeira.

E não faz muito tempo que bilionários da tecnologia eram amplamente admirados em todo o espectro político, alguns alcançando status de heróis populares. Mas agora eles e alguns de seus produtos enfrentam desilusão e pior; a Austrália até proibiu o uso de redes sociais por crianças menores de 16 anos.

O que me traz de volta ao meu ponto de que algumas das pessoas mais ressentidas na América agora parecem ser bilionários irritados.

Já vimos isso antes. Após a crise financeira de 2008, que foi amplamente (e corretamente) atribuída em parte às manobras financeiras, você poderia esperar que os antigos “Mestres do Universo” mostrassem um pouco de contrição, talvez até gratidão por terem sido resgatados. O que recebemos em vez disso foi a “raiva de Obama”, fúria contra o 44º presidente dos EUA por até mesmo sugerir que Wall Street poderia ter sido parcialmente culpada pelo desastre.

Hoje em dia, há muita discussão sobre a guinada à direita de alguns bilionários da tecnologia, de Elon Musk para baixo. Eu argumentaria que não devemos pensar demais nisso, e especialmente não devemos tentar dizer que isso é de alguma forma culpa dos liberais politicamente corretos.

Basicamente, resume-se à mesquinhez dos plutocratas que costumavam se deleitar com a aprovação pública e agora estão descobrindo que todo o dinheiro do mundo não pode comprar amor.

Então, há uma saída para o lugar sombrio em que estamos? Eu acredito que, embora o ressentimento possa colocar pessoas ruins no poder, a longo prazo ele não pode mantê-las lá. Em algum momento, o público perceberá que a maioria dos políticos que criticam as elites na verdade pertencem a essa elite em todos os sentidos que importam e começará a responsabilizá-las por seu fracasso em cumprir suas promessas. E nesse ponto, o público pode estar disposto a ouvir pessoas que não tentam argumentar a partir da autoridade, não fazem promessas falsas, mas tentam dizer a verdade da melhor forma possível.

Talvez nunca recuperemos esse tipo de fé em nossos líderes —a crença de que as pessoas no poder geralmente dizem a verdade e sabem o que estão fazendo— que costumávamos ter. Nem deveríamos. Mas se enfrentarmos a kakistocracia —governo pelos piores— que está emergindo enquanto falamos, podemos eventualmente encontrar nosso caminho de volta para um mundo melhor.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

MUNDO

Escola instala elevador para tornar ambiente mais acessível aos alunos com deficiência

PUBLICADO

em

Enéas é um jovem de 24 anos, que enfrenta uma batalha contra um câncer no reto. Sem condições. ele vive diversas dificuldades após ter o INSS negado - Foto: SVB

A comunidade desta escola se uniu e conseguiu a instalação de um elevador para ajudar os alunos com deficiência. O momento foi muito comemorado!

O vídeo, compartilhado nas redes pela pesquisadora de Educação e fundadora do Instituto Cáue, Mariana Rosa, mostra a filha dela, Alice, usando pela primeira vez a nova funcionalidade.

Mariana contou que foram três anos de mobilização intensa entre os estudantes, famílias e educadoras. No último dia 29 de março o projeto saiu do papel, em São Paulo. Os amigos de Alice estavam na porta do elevador e quando ela foi fazer a primeira viagem, todo mundo vibrou com a conquista da acessibilidade!

Esforço coletivo

A instalação do elevador foi fruto de um esforço coletivo.

Como escola é tombada como patrimônio histórico e tem diversas barreiras arquitetônicas, o acesso de Alice a vários ambientes era improvisado, além de ser inseguro.

Para garantir que todos tivessem as mesmas condições, os alunos formaram comissões de acessibilidade.

A principal função era debater soluções e criar um plano realista para eliminar as barreiras no ambiente escolar.

Depois de anos de diálogo, debates e negociações, eles conseguiram!

Leia mais notícia boa

Conquista da acessibilidade

Alice foi a primeira a entrar no “Fantástico Elevador” e ganhou um bilhete dourado para isso.

O ticket dava direito a uma viagem com mais três amigos.

“A Marsella, amiga da Alice, foi sua companhia na primeira viagem do elevador”, contou a mãe da menina.

A comunidade escolar parou para ver o feito. Com todos os amigos reunidos, eles estouraram confete e vibraram bastante depois que a garota conseguiu o acesso.

“A invenção e a transgressão materializadas no elevador, que já não é “social” ou “de serviço”, mas “a serviço” daqueles que dele necessitam”, disse Mariana.

Muito além do elevador

A mãe também contou que o fato vai muito além de um elevador.

“É certo que a garantia da acessibilidade está longe de se resumir à instalação de um elevador. A acessibilidade curricular, inclusive, é um dos aspectos que mais demanda investimento (intelectual, afetivo, financeiro).”

Segundo a genitora, o momento foi de transformação.

“Mas a gente não celebrou a mera instalação do elevador. Ele só concretizou a transformação estrutural (material e simbólica) que podemos construir”, finalizou.

Veja como os alunos se juntaram para ver Alice!

//www.instagram.com/embed.js



Leia Mais: Só Notícias Boas

Continue lendo

MUNDO

Família faz caravana e aluga ônibus para visitar o tio desaparecido há 42 anos; vídeo

PUBLICADO

em

Na nova fase do programa Celular Seguro, o governo enviará mensagem via WhatsApp alertando sobre devolução do celular roubado. - Foto: Gov.br

Uma farra daquelas com direito a buzão, criança, idoso e gente para tudo que é lado. Uma família resolveu se reunir e ir de ônibus em caravana encontrar um certo tio, que era dado como morto.  A história foi compartilhada pela Lidy nas redes sociais.

O vídeo fez tanto sucesso que teve mais de 93 mil curtidas e 1,1 mil comentários. Também quem é que não se identifica com uma situação dessas? A revelação de que o tio estava vivo, apesar de muita gente acreditar que ele estava morto há 42 anos, virou festar.

A caravana passou por vários locais, na Bahia, até parar em frente à casa do tio – cujo nome nem é mencionado, afinal ele é o “tio”. Surpreso, o homem, de camisa do Flamengo, parece não acreditar que era o alvo da “visita” em peso.

Reencontro ao acaso

Tudo começou quando Lidy navegava nas redes sociais e reconheceu o parente, enviou solicitação de amizade, entrou em contato e, começaram a conversar. A constatação que o tio era ele mesmo e estava mais vivo do que nunca movimentou a família toda.

Muito unidos, decidiram que iriam visitar de surpresa o tio reencontrado. No grande dia, agiram naturalmente, como se nunca tivessem acreditado que ele estava morto.

O relato divertido viralizou, com diversos internautas compartilhando histórias semelhantes e brincando com a perplexidade do tio, que visivelmente, parecia não acreditar no que os olhos dele viam.

Leia mais notícia boa 

Reação nas redes

Se o vídeo é hilário, os comentários e desabafos não são muito diferentes. Internautas e seguidores compartilharam situações bem parecidas que viveram.

“E eu que tinha uma melhor amiga e quando fui na casa dela, descobri que o pai dela era o meu pai”, contou uma jovem.

Outra disse que o melhor é a reação de quem tem casos parecidos na família. “Na minha família tem. Ele desapareceu por uns anos e voltou para nos visitar como se nada demais  tivesse acontecido”, contou. “Não é possível que toda família tenha um tio ou uma tia que desapareceu por anos”, reagiu uma seguidora.

A família da Lidy além de alugar um ônibus foi em peso visitar o tio que recebeu com surpresa a chegada da caravana. Foto: @lidy_32 A família da Lidy além de alugar um ônibus foi em peso visitar o tio que recebeu com surpresa a chegada da caravana. Foto: @lidy_32

Veja o perrengue da viagem de ônibus para conhecer o tio:



Leia Mais: Só Notícias Boas

Continue lendo

MUNDO

Jovem com câncer no reto tem INSS negado; mesmo debilitado, perícia diz que ele pode trabalhar. Ajude na vaquinha!

PUBLICADO

em

A escola de São Paulo instalou o elevador para ajudar os alunos com deficiência. - Foto: @marianarosa/Instagram

“Eu só quero viver. Não é fácil não ter o que comer, não ter uma fruta para o intestino funcionar normalmente. Não é fácil passar por isso sem ajuda”. Essas palavras são de Enéas, um jovem de 24 anos, morador de Fortaleza (CE), que enfrenta uma batalha contra o câncer no reto.

Além da luta contra a doença, ele também trava um embate com a burocracia: mesmo debilitado e vivendo com uma bolsa de colostomia, o INSS negou seu benefício por incapacidade, alegando que ele pode voltar ao trabalho. Sem condições de exercer qualquer atividade laboral, Enéas vive uma situação crítica.

A mãe, a única provedora da família, tem se esforçado para manter a casa, mas os recursos são escassos. O jovem não consegue comprar alimentos adequados, medicamentos e itens essenciais para a higiene e tratamento. O maior sonho do Enéas é poder seguir os cuidados dele como deveria. Para isso, foi aberta uma vaquinha para ajudar com um mínimo de dignidade.

Diagnóstico e desafios diários

O diagnóstico de câncer no reto chegou no ano passado, e desde então a vida de Enéas mudou drasticamente. Ele precisou passar por diversas cirurgias e hoje vive com uma bolsa de colostomia permanente e uma fístula esfincteriana, condições que exigem cuidados constantes e materiais médicos específicos.

No entanto, mesmo com um quadro de saúde tão delicado, a perícia do INSS concluiu que ele poderia retornar ao trabalho. A decisão foi um duro golpe para Enéas e para a família, que já enfrentavam dificuldades financeiras antes da doença.

Sem o benefício, a situação se tornou ainda mais desesperadora. Ele está com um processo na Justiça do Ceará, mas não existe previsão para que o valor devido sejaa liberado.

Veja outras histórias do SVB:

Falta de recursos e necessidades urgentes

Com a renda limitada da mãe, Enéas vive uma rotina de privação. Ele precisa de fraldas geriátricas diariamente, que são essenciais para evitar infecções, além de alimentos adequados para manter sua saúde estável. No entanto, sem o benefício do INSS, ele não tem como custear esses itens básicos.

A família tem buscado apoio, mas a ajuda ainda é insuficiente para cobrir todas as despesas. O jovem sonha com dias melhores, mas, no momento, precisa de solidariedade para garantir que possa continuar sua luta.

Como ajudar

A situação de Enéas é urgente! A vaquinha tem o objetivo de arrecadar recursos para garantir que ele possa se alimentar corretamente, comprar medicamentos e materiais essenciais para a saúde.

Qualquer quantia faz diferença na vida de Enéas!

Você pode contribuir através da chave Pix eneas@sovaquinhaboa.com.br ou pelo cartão de crédito diretamente no site do Só Vaquinha Boa, clicando aqui. Todas as doações são seguras e verificadas.



Leia Mais: Só Notícias Boas

Continue lendo

MAIS LIDAS